Eu me chamo Herbert Almeida e trabalho como coordenador de criação, redator e roteirista aqui na QI 360º. Eu costumo me apresentar como um pleonasmo redundante: publicitário nerd, torcedor do Sport chato e um pai apaixonado pela minha filha. Isso é basicamente como eu sou.
Como se não bastasse todos os jobs, as pautas apertadas e os prazos estourados, Bruno, um dos diretores da agência, teve a ideia de convidar cada líder de setor para escrever um blog post sobre um assunto de sua preferência, mas com alguma ligação com o mundo da publicidade.
Logo de cara, gostei da proposta, mas achei melhor deixar que outras pessoas escrevessem primeiro e me ocupei de minhas tarefas usuais. Eu não tinha o tempo necessário para fazer algo legal e nem considerava uma prioridade. Recusei, esqueci e segui a pauta.
Dias, semanas e meses depois, o assunto voltou à tona e alguns colegas disseram estar ansiosos pelo que eu ia escrever quando chegasse a minha vez. Eu já nem pensava nisso há tempos e nem mesmo tinha escolhido o tema. Erros gramaticais no ambiente corporativo? Sport, campeão de 1987? Paternidade 2.0? Nada disso. Segundo Bruno, deveria ser algo relacionado com o nosso mercado.
Eu percebi então que só havia um tema possível… eu ia contar uma história sobre contar histórias! O tema seria a jornada do herói e sua aplicação na publicidade. Então abri um documento de texto e “atravessei o portal”.
Comecei a reunir o meu material sobre o assunto, pesquisar algumas referências e estruturar o texto. Eu queria que o blog post ficasse realmente legal, didático e, de certa forma, trouxesse alguma novidade sobre o tema. Afinal, é uma fórmula que funciona, mas que por ser tão usada, acaba se tornando um clichê.
Bom, para quem não conhece o monomito, aqui vai uma breve explicação. Analisando diversas obras ao longo da nossa história, Joseph Campbell começou a considerar a ideia de que todos os mitos, em todas épocas, tinham uma estrutura semelhante. Com muito estudo, ele conseguiu provar que a essência de todos os mitos humanos é semelhante, e ele chamou esse padrão de “monomito”.
A jornada do herói, como também é conhecido, é um modelo básico seguido pelos principais mitos e/ou relatos épicos de todo o mundo e de todas as épocas. Essa estrutura é composta por 12 estágios, que fazem parte de três etapas basilares: A Partida (Mundo Comum, Chamado da Aventura, a Recusa ao Chamado, Encontro com o Mentor e Travessia do Portal), A Iniciação (Testes, Aliados e Inimigos, Aproximação do objetivo, Provação máxima e Conquista da recompensa) e O Retorno (Caminho de volta, a Ressurreição e o Retorno com o elixir). Agora, como falar sobre isso de uma maneira nova, atraente e que ainda fizesse sentido? Essa foi uma provação e tanto…
Foi então que eu tive um insight: escrever um texto sobre o monomito e sua aplicabilidade aplicando o monomito no próprio texto. Depois de tanto trabalho, essa foi a minha recompensa.
Mas a jornada não terminou. Eu precisava fazer todo o caminho de volta. E aqui estamos. Repensei, reorganizei e reescrevi tudo, por mais de uma vez, até que consegui dividir as informações da maneira que eu queria.
Depois do texto renascido, é importante lembrar que essa não é uma receita infalível e nem que todas as histórias que a seguem serão um grande sucesso. Essa estrutura serve como um guia porque acompanha o desenvolvimento cognitivo do espectador e auxilia na percepção da história.
Na publicidade, o monomito pode ser usado em campanhas de branding e na criação de conteúdo, mudando poucos elementos e com alguns passos aparecendo em uma ordem diferente. Eu apliquei nesse post, colocando cada um dos 12 passos do herói em um parágrafo diferente. Você consegue identificar cada um deles?